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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS

         
             A hipótese de homogeneidade dos produtos é essencial para definição da concorrência perfeita. Neste arcabouço analítico, como os consumidores consideram os produtos idênticos (os substitutos perfeitos), a ocorrência de preços distintos não permite à empresa com preço superior realizar vendas, pois os consumidores optam por adquirir apenas da empresa com menor preço. Por isso, quando são considerados mercados sem diferenciação de produtos, respeitando as demais condições competitivas, o preço é único, sendo definido pelo mercado. As empresas são tomadoras de preços (Prince takers), já que não podem influenciar o preço de mercado e, na verdade, se deparam com curvas de demandas perfeitamente elásticas.
            Os produtos são diferenciados segundo diversos aspectos como: local da oferta, qualidade do produto ou percepção da marca. Rigorosamente, basta que os consumidores percebem os produtos como diferentes, isto é, que tenham preferências subjetivas distintas, para ocorrer diferenciação de produtos.
            Com a diferenciação de produtos decorre de fatores subjetivos, qualquer listagem das possibilidades de diferenciação é incompleta. Em linhas gerais, os produtos são diferenciados conforme os seguintes atributos: especificação técnicas, desempenho ou confiabilidade; durabilidade; ergonomia  design; estética; custo de utilização do produto; imagem e marca; formas de comercialização; assistência técnica e suporte ao usuário; financiamento aos usuários.
            Há setores que apresentam vocação maior para diferenciação, condicionada às características do produto (tecnológicas e possibilidades de uso). Embora a introdução de um produto novo dependa, antes de tudo dos critérios de avaliação dos consumidores. Existem dois tipos de diferenciação de produto: horizontal e a vertical.
            Quanto aos modelos de competição monopolista existem dois modelos locacionais para exemplificar: o Modelo da Cidade Linear e o Modelo da Cidade Circular.

            Os modelos locacionais, tais quais o modelo de Chamberlin, admitem hipóteses muitos restritivas, constituindo-se, sobretudo, em um esforço de formalização. Joe Bain, em 1956 considerava a vantagem de diferenciação de produto das fontes de diferenciação à dinâmica das industrias. A diferenciação surge como resultado de uma inovação de produto que propicia poder de monopólio para as empresas inovadoras, dando lugar a lucros extraordinários. A competição pela diferenciação acaba atuando de três formas: aumenta as vendas de uma empresa em particular; atua sobre a demanda de mercado como um todo, incorporando novos consumidores; e garante a sobrevivência da empresa no mercado. Neste sentido, a diferenciação é ao mesmo tempo, uma arma agressiva, na medida em que a empresa está buscando garantir uma demanda maior para seus produtores, e defensiva, porque é uma forma de garantir sua posição no mercado em que atua.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

EMPRESA, INDÚSTRIA E MERCADOS


            Na Economia Industrial, em várias correntes, destaca-se claramente a busca pela incorporação do crescimento e da acumulação de capital das empresas como determinantes fundamentais da dinâmica da economia capitalista. A crescente importância das grandes corporações, em geral acumulando várias atividades produtivas, contrasta claramente com a empresa idealizada pela escola tradicional neoclássica, gerando novas preocupações não só com a própria ideia de empresa como também com seus espaços de concorrência, sobretudo na definição de mercado e indústria.

Natureza e Objetivos da Empresa
            Para Chandler e Penrose existem duas definições de empresa:
            Em Chandler a empresa é uma entidade legal que estabelece contratos com fornecedores, distribuidores, empregadores e, frequentemente, com clientes. É também uma entidade administrativa, já que havendo divisão do trabalho em seu interior, ou desenvolvendo mais de uma atividade, uma equipe de administradores se faz necessária para coordenar e monitorar as diferentes atividades.
            A proposição de Penrose é complementar, indicando que os teóricos fazem escolhas dentre os múltiplos aspectos da empresa. Uma empresa não é um objeto observável de maneira fisicamente separada de outros objetos, e é difícil de se definir a não se com referência ao que faz ou ao que é feito em seu interior.
            Consequentemente, cada analista é livre para escolher quaisquer características da empresa nas quais esteja interessado, definir a empresa em termos destas características e proceder de forma a chamar sua construção de “empresa”.

Antes da escola neoclássica: Acumulação de capital e elementos de uma teoria da produção.
            A escola clássica não chega a explicitar um  agente de nome empresa. Nela estão presentes como agentes as classes sociais – trabalhadores, proprietários de terras e capitalistas. Para nosso uso, isto pode se explicar pelo fato da empresa capitalista se ter constituído como agente de forma evolutiva, sendo identificável de forma separada de seus proprietários à medida que evolui juridicamente. Assim, antes da revolução industrial podem identificar-se empresas na esfera comercial, mas a produção se faz em geral de forma doméstica ou em oficinas de dimensões reduzidas. Mesmo no século XIX, as primeiras empresas industriais (da indústria têxtil, por exemplo) são empresas familiares ou sociedades de natureza jurídica simples, não separando a responsabilidade do patrimônio familiar dos compromissos assumidos pelas empresas. Neste sentido a empresa da escola clássica se identifica com o capitalista, e seu objetivo é acumular capital em um ambiente competitivo representado por um sistema capitalista em expansão.

A empresa na escola neoclássica: Transformação nas leis dos rendimentos
            A escola neoclássica trouxe para o centro da teoria economia o problema da alocação de recursos escassos a necessidades ilimitadas. Alferd Marshall em Principles of Economics, afirma que enquanto agente deste sistema alocativo, a empresa neoclássica é vista como um agente que toma decisões de produção (curto prazo) e de escolha do tamanho da planta (longo prazo), incluindo a entrada ou saída de mercados onde os lucros estejam acima ou abaixo dos lucros normais, de forma que as decisões do conjunto de empresas de uma economia conduzem as escolhas da aplicação dos recursos da sociedade – o que, como, quanto e para quem produzir. As escolhas individuais das empresas são governadas pelo objetivo de maximização de lucros, que corresponde à quantidade produzida que proporciona os maiores lucro dentre o conjunto de quantidades que uma planta permite produzir (curto prazo), ou à escolha da planta ótima, a que permite obter maior lucratividade dentre o conjunto de dimensões alternativas de plantas no âmbito da tecnologia vigente.
            Leon Walras, tem a imagem da empresa mais acentuada. A empresa aparece sob a forma de empresários que comparecem no mercado de fatores como demandantes de seus serviços e no mercado de bens como ofertantes dos produtos. Se as remunerações concedidas são os lucros do capital, salário do trabalho e a renda dos recursos naturais,os lucros extraordinários a que empresários poderiam eventualmente visar como resíduo – resultante do desconto dos custos de produção do valor dos bens – se acumular por pressão da competição.

Empresas como instituição: A contribuição de Coase
            De Acordo com Richard Coase, a empresa é vista como um arranjo institucional que substitui a contratação renovada de fatores no mercado por uma outra forma de contratação, representada por um vínculo duradouro entre fatores de produção. Na contratação entre capital e trabalho, por exemplo, seria a diferença entre contratar um trabalhador mediante um contrato de trabalho, ou seja, para desempenhar esta tarefa ao longo de futuro indeterminado, incluindo as variações que a tarefa pode assumir ao longo do tempo.

Outras visões de empresa como instituição: Marshall
            Marshall é sem dúvida o fundador da vertente neoclássica de análise do equilíbrio parcial. Efetivamente Marshall utilizou nessa análise a figura de uma empresa idealizada, a empresa representativa, que seria madura o suficiente para estar de posse de capacitações representativas do desenvolvimento geral da indústria e do conjunto de empresas produtoras da mercadoria em análise de equilíbrio.
            Para Marshall, o crescimento da empresa individual na industria se faz sob rendimentos crescentes. O autor explica que empresas maiores se beneficiam de vantagens de adoção de técnicas, na compra de grandes volumes, no uso de instrumentos de comercialização acessíveis às empresas maiores.
            A explicação marshaliana é a de que as empresas não podem reter e desenvolver eternamente as vantagens do tamanho porque, ao final da primeira geração fundadora da empresa, há perda de vigor no trabalho da gerência; e sua substituição pelas gerações posteriores faz prosseguir a debilidade porque seus gerentes são determinados hereditariamente, não sendo selecionando pelo mercado a sua capacidade.

Outras da Empresa como instituição: Gerenecialistas e Penrose
            Para a corrente gerencialista, rejeita-se o processo de maximização do lucro como o determinante exclusivo do comportamento decisório da empresa. Um elemento chave na configuração dos modelos desta corrente refere-se à separação entre propriedade e controle, uma nova característica organizacional das empresas ao introduizr a figura do gerente profissional – representando o seu corpo executivo.
            Edith Penrose formulou uma teoria da empresa que se destaca deste conjunto por retomar a problemática esboçada por Marshall, dando uma maior organicidade à discussão de empresas que crescem acumulando capacidade e recursos. Para a autora, a empresa reúne e combina recursos , mas esta função contrasta com a empresa neoclássica porque não há relação biunívoca entre um recurso e os serviços que dele se podem obter. Estes dependem dom ambiente (empresa) em que os recursos são utilizados, com especial importância para os conhecimentos utilizados quando do seu emprego.

A Visão neoschumpeteriana de empresa
            Uma corrente teoria economica contemporânea em que a empresa se apresenta como agente que acumula capacidade organizacionais é a dos neoschumpeterianos. Ao invés da escolha racional e permanentemente renovada proposta pela corrente principal da teoria econômica, as empresas se comportam de acordo com rotinas cristalizadas através de sua experiência, que possuem o papel de coordenar a atividade interna dos membros da empresa, à semelhança de um código genético.

Estrutura Organizacional Interna da Empresa
            As proposições de Oliver Williamson e Alfred Chandler relativas à existência de dois modelos estilizados de estrutura organizacionais – o formato unitário (forma U) e a empresa multidivisional (M).
            De maneira simplificada, é possível diferenciar os seguintes modelos organizacionais de empresas diversificadas:
·         Empresa Multiproduto: produz vários bens colocados junto a mercados distintos.
·         Empresa Verticalmente Integrada: envolve a atuação da empresa em diversos estágios da cadeia produtiva associada à transformação de insumos em bens finais de determinada indústria.
·         Conglomerado Gerencial: corresponde a um tipo de empresa diversificada que está presente em vários mercados, envolvendo produtos pouco relacionais entre si.
·         Conglomerado Financeiro: corresponde a um tipo de empresa diversificada que está presente em diversos mercados que não se encontram relacionados entre si.
·         Companhia de Investimento: de modo semelhante ao conglomerado financeiro, também se baseia na distribuição de recursos líquidos entre atividades não relacionadas.

Conceitos de Indústria e Mercado
            A dicotomia concorrência perfeita/monopolista, abre espaço abstrato de encontro de oferta e demanda, adotando-se uma noção de produto como algo absolutamente bem definido e, portanto, perfeitamente distinguindo na análise dos consumidores. A suposição de um crescimento da empresa marcado pela crescente diferenciação de produto, além de um movimento de expansão diversificante da atividade produtiva como uma estratégia.
            O mercado, portanto, corresponde à demanda por um grupo de produtores substitutos próximos entre si.

Cadeia produtivas e Complexos industriais
            É o mais comum. Assim, na medida em que a competitividade das empresas depende do seu meio ambiente imediato, a arena concorrencial se amplia, deixando de ser apenas a dos mercados imediatos de venda de mercadorias/serviços e aquisição de insumos, para também incorporar mercados acima e abaixo da cadeia produtiva em que a empresa está atuando.
            Existem tipos de cadeia produtiva, tais como: cadeia produtiva empresarial; cadeias produtivas setoriais.


            

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Questões - Teoria do Desenvolvimento Agrícola



EXPROPRIAÇÃO E VIOLÊNCIA
UMA QUESTÃO POLÍTICA NO CAMPO.

1.    Como se caracteriza o processo de expropriação?
É o divorcio entre os trabalhadores e as coisas de que necessita para trabalhar, caracterizado pelo fortalecimento das relações de trabalho com os fazendeiros, ou seja, os produtores deixam de possuir os instrumentos de trabalho e a pratica da produção para o próprio consumo, passando a vender sua força de trabalho.

2.    O que significa a expressão “terra de negócios e terra de trabalho”?
Terra de negócios é a terra usada pelo capitalista no sentido de explorar o trabalho alheio, visando lucro. A terra de trabalho é a terra usada pelo lavrador para a produção e reprodução de meios para garantir a sua sobrevivência.
3.    Qual o motivo da migração dos lavradores?
Foi o preço exorbitante da terra nos seus lugares de origem, deixando-os sem condições de ampliar suas oportunidades de trabalho e impossibilitando a continuidade na lavoura.
4.    Sabemos que a expropriação pode ocorre de forma indireta pelos capitalistas, com base nisso aponte essa forma.

No momento em que os rendimentos do trabalho agrícola são amplamente absorvidos pelas grandes empresas capitalistas que estão criando mecanismos quase compulsórios de comercialização das safras. Nesse caso as empresas subjulgam o produto do trabalho do lavrador, que recebem cada vez menos pelo que produz. 

terça-feira, 25 de junho de 2013

A MILITARIZAÇÃO DA QUESTÃO AGRÁRIA NO BRASIL


" Se a mão de Deus protege e molha o nosso chão, por que será que tá faltando pão?"






A questão da luta agrária nacional tem varias bases ideológicas e aspectos diferentes em relação às diferentes classes agrárias e territórios disputados por estes juntamente com grandes capitalistas rurais e grileiros. Fazer reforma agrária, para promover a classe menos favorecida do meio rural, lutar contra a expropriação, a peonagem, a grilagem de terras e as mais diversas formas de violência no campo, nunca foi, e muito menos é interesse dos governantes do país, uma vez que sempre apoiaram a propriedade privada, tanto no caráter jurídico como no caráter judiciário.
O Brasil evidencia lutas agrárias desde o seu “descobrimento”, os índios tiveram suas terras invadidas e tomadas pelos portugueses que aqui chegaram, foram descriminados pelos seus hábitos culturais e religiosos, explorados, escravizados, e os que não aceitaram, foram exterminados. Depois da falência desse sistema os portugueses passaram a demarcar áreas de terras e “doa-las” para os que aqui quisessem viver, muitos deles marginais, no contexto histórico essa doação se caracteriza com o que chamamos de capitanias hereditárias, onde a posse da terra passava de herdeiro para herdeiro, uma das causas da concentração dos latifúndios. A perseguição ao camponês torna-se  mais acentuada e violenta com o golpe militar de 1964, onde os militares tomaram o governo do até então presidente João Goulart, com uma proposta de desenvolvimento nacional, com base na modernização da indústria nacional, incentivo a entrada de investimento estrangeiro direto e modernização da agricultura e pecuária. A questão agraria brasileira agora passa a ser uma questão militar, com intervenções militares em conflitos por terras em todas as regiões do Brasil, o governo militar, as forças de defesas nacionais e o poder judiciário foram ausentes na promoção de melhores condições de vida para os camponeses e para aqueles que utilizam a sua força de trabalho no meio rural, entre eles trabalhadores rurais e posseiros que ocupam certo território, mas que não possuem a posse dessa terra, o que abre a possibilidade de serem expropriados por grandes capitalistas, ou terem suas terras griladas pelos “traficantes de terras”.
A luta dos trabalhadores rurais, meros produtos e produtores do sistema capitalista,adquire caráter trabalhista com a presença do trabalhador livre e assalariado, trava-se disputas entre o proletariado e grande capitalista que antes era o senhor do engenho tem a nomenclatura alterada: fazendeiros ou capitalistas. Trabalhadores registrados reúnem-se em sindicatos, o que possibilita um poder maior de barganha em relação a luta salarial, já os trabalhadores não registrados, chamados de clandestinos, são explorados chegando a ter cargas horárias de trabalho superiores a 14 horas diárias, salário abaixo do salário real, privados de direitos trabalhistas. Caso diferente acontece com os posseiros, já que a terra é o seu instrumento de trabalho, diferente dos trabalhadores rurais, onde a terra é um fator de trabalho, os posseiros lutavam pela legalização de sua situação, pois ocupavam terras que não eram de sua propriedade legal, mas sim instrumento de trabalho e exploração que eram inutilizadas pelo grande latifundiário, sendo objeto de especulação ou apenas pasto para o gado.
 Vale ressaltar a importância do movimento campesinato organizado nesse período o “MST- Movimento Sem Terra”, organizado inicialmente no estado do Paraná, e que rapidamente expandiu-se para todo o pais,era trabalhadores marginalizados pelo capitalismo que buscavam direitos como:reforma agrária, melhor condições de vida no campo, o movimento era composto principalmente por trabalhadores rurais e filhos de camponeses que por terem famílias numerosas não tinham terra suficiente para produzir e consequentemente para subsistência.

A classe do campesinato brasileiro mobiliza segmentos distintos como a Igreja, a principio a evangélica e posteriormente a católica que até hoje levanta a bandeira do movimento, destinando pastorais especificas como a Pastoral da Terra. A influência religiosa data de um tempo passado, durante os primeiros conflitos da era Republicana como Canudos, onde o “conselheiro” por meio do evangelho orientava aos sertanejos marginalizados em “sem terra” a lutarem contra o regime de exploração, buscavam a terra prometida, da libertação e acreditavam que a profecia bíblica cumpria-se ali no Sertão da Bahia no arraial de Canudos. É o mais extermínio de camponeses que a história registra e que depois de mais de 2 séculos a luta ainda não cessa e que a morte de Antonio Conselheiro(Canudos), Zé Maria (Contestado) e de líderes tanto religiosos como os cangaceiros do Sertão (Lampião) não representou o fim da luta. 

terça-feira, 14 de maio de 2013

A EMPRESA TRANSNACIONAL




Os desenvolvimentos teóricos recentes a respeito da empresa transnacional (ET) ainda são ignorados ou minimizados. No entanto o entendimento sobre ET é de fundamental importância. No contexto atual processo de globalização, a ET é o principal lócus de acumulação e de poder econômico a partir do seu controle sobre ativos específicos (capital, tecnologia e capacidade gerencial, organizacional e mercadológica). No capitalismo contemporâneo, a ET encontra-se cada vez mais identificada com a categoria de grupo econômico do que com a de empresa.
            A ET é a empresa de grande porte que controla ativos em pelo menos dois países. A ET responde pela quase totalidade dos fluxos de investimentos externo direto (IED). A teoria desenvolvida, assenta-se na relação entre empresa, o território e o sistema econômico, A ET é entendida como o principal agente dos processos de internacionalização da produção, centralização e concentração do capital, e de destruição criadora.
            Na dimensão microeconômica, a ET é o agente de realização do processo de internacionalização da produção. Esse processo ocorre sempre que residentes têm acesso a bens e serviços com origem em não – residentes (isto é, mercadorias originalmente produzidas por não residentes). E ele se expressa de três formas: exportação, licenciamento de ativos e investimento externo direto. A literatura analisa a ET, a  primeira contribuição importante, utilizando o enfoque de organização industrial para o estudo dos determinantes do IED, foi dada por Penrose em 1956. O argumento básico de Penrose é que o IED é uma conseqüência do processo de crescimento da empresa. Ela argumenta que as empresas têm uma forte tendência para se expandir, e expansão significa diversificação da produção, assim como penetração em novos mercados internos e externos.
            A idéia de que uma empresa deve possuir algumas vantagens de modo a poder penetrar em mercados externos por meio do IED foi na realidade, a contribuição básica de Hymer em 1960. Segundo esse autor, empresas engajam-se em operações externas porque têm algumas vantagens que as empresas do país receptor do investimento não têm.
            A visão abrangente da internacionalização do capital consiste em entender o fenômeno da ET como um epifenômeno da própria dinâmica de desenvolvimento capitalista. A ET surge, então, como resultante da convergência dos processos de concentração e centralização do capital e de destruição criadora. A ET é o principal objeto da macro dinâmica capitalista, mas também é o seu principal sujeito. A ET é a grande empresa capitalista e o principal agente de realização dos processos de internacionalização da produção, concentração e centralização do capital, e de destruição criadora.
            A ET tem como característica básica o fato de ser uma grande empresa e possuir vantagens especificas. No entanto, a posse de vantagens especificas à propriedade surge como condição necessária, porém não suficiente, para explicar o movimento de internacionalização da produção em termos do seu movimento inicial, das formas assumidas, e da distribuição espacial (escolha de territórios). A “condição de suficiência” seria determinada pela interação de um conjunto de fatores locacionais específicos. Interagindo com os elementos sistêmicos e específicos às empresas (microeconômicas), os fatores locacionais aparecem como variáveis determinantes para a escolha da forma do movimento de internacionalização da produção. 
            O fato é que os próprios fatores locacionais específicos (operando no território, no espaço nacional ) dependem de fatores sistemáticos, pois eles surgem em função das necessidades de expansão do sistema capitalista em escala mundial. No caso de fatores sistêmicos que afetam os fatores locacionais específicos, o exemplo óbvio é o processo de desenvolvimento dependente dos países do Sul. Nos países do Norte, podemos destacar os gastos militares dos governos nacionais que estimulam o progresso tecnológico.
            A visão abrangente da natureza da ET procura ter um caráter histórico na medida em que aceita o fato de que a cada momento a interação de fatores econômicos, políticos, sociais e culturais define um novo conjunto de pesos específicos para as variáveis determinantes. Em conseqüência, a resultante das variáveis muda de uma forma incessante, o que nos remete a uma analise dinâmica do processo de internacionalização da produção por meio da expansão das empresas transnacionais. Em síntese, a ET é sujeito e objeto dos processos de internacionalização da produção, centralização e concentração do capital e destruição criadora. 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A Politica Ambiental


           


           A Política Ambiental é o conjunto de metas e instrumentos que visam reduzir os impactos negativos da ação antrópica – do homem – sobre o meio ambiente. Como toda política, possui justificativa para sua existência, fundamentação teórica, metas, instrumentos e prevê penalidades para aqueles que não cumprem as normas estabelecidas. Interfere nas atividades dos agentes econômicos, portanto, a maneira pela qual é estabelecida influencia as demais políticas públicas, inclusive as políticas industrial e de comércio exterior.
            A Importância da Política Ambiental tem sido crescente, principalmente nos países industrializados, e seus efeitos sobre o comércio internacional podem ser percebidos com o surgimento de barreiras não – tarrifárias.
            As matérias – primas e energia são os insumos da produção, tendo como resultados o produto final e as rejeitos industriais – fumaça, resíduos sólidos e efluentes líquidos. Como os recursos naturais utilizados nos processos industriais são finitos, e muitas vezes não – renováveis, a utilização deve ser racional a fim de que o mesmo recurso possa servir para a produção atual e também para as gerações futuras – esse é o principio de Desenvolvimento Sustentável.
            A Poluição é vista como uma externalidade negativa e a solução para o problema é que o poluidor internalize as externalidades – principio do produtor- pagador. Porque não se cria um mercado para negociar a quantidade de poluição aceitável? Essa questão foi levantada por Ronald Coase em 1960, na qual o argumentava que a solução dos problemas ambientais pode surgir por meio da livre negociação entre as partes envolvidas. A hipótese básica do argumento é que quanto maior a redução na polução, maior é o custo marginal de abatê-la e menor é o beneficio marginal para a parte afetada. 


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Plano Bresser x Plano Verão – Uma análise critica do período

   O Plano surge como meio se substituir o então fracassado plano cruzado, mas se mostra ineficaz tanto quanto o plano que o deu lugar, não dando conta de estabilizar a inflação em nosso país, e cedendo lugar posteriormente ao “Plano Verão”. Em 1987  no governo de Sarney o ministro  da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira, assume com a missão de controlar a inflação herdada do fracassado Plano cruzado.

    O principal objetivo do plano não era acabar com a inflação, nem com a indexação, mas evitar a sua aceleração e a hiperinflação, e para isso era necessário diminuir o déficit público que já representava uma parte considerável do PIB, pois nesta época os gastos do governo eram superiores as receitas provenientes dos impostos recolhidos no território nacional.
            
As medidas adotadas:

·        Congelamento de salários, com inflação corrigida após seis meses ao nível de 12 de julho;
·  Congelamento de preços por três meses, observando que aumentaram vários preços antes do congelamento;
·   Mudança da base do índice de Preços ao Consumidor (IPC), incorporada a inflação para não sobrecarregar o mês de julho;
·   Desvalorização do câmbio em 9,5% em ao nível de 12 de junho, sem congelamento, mas com desvalorizações suaves, e com menor ritmo;
·         Congelamento do preço de aluguéis de junho sem nenhuma compensação;
·         Manutenção dos contratos pós fixados e desvalorização mensal de 15% para os pré fixados;
·         Criação da (URP), unidade Referencial de Preços, que
corrigia os salários de três em três meses.

    Vale ressaltar que foi mantida uma política fiscal com taxa de juros positiva para incentivar a poupança. Como política de curto prazo o Plano Bresser teve êxito, inclusive conseguiu equilibrar a balança comercial, mas com o aperto nos preços, a indústria se sentiu desestimulada a produzir por conta do aumentos nos custos.O desequilíbrio de preços fez com que a inflação voltasse novamente, pois as pressões das classes trabalhadora e industrial que resultou em ganhos de reajustes para várias categorias começando pelos funcionários do governo e se espalhou para todas as classes.

     E em dezembro de 1987, o plano não conseguiu controlar mais o déficit público, apesar de ser este seu objetivo principal.Impossibilitado de tocar a política monetária em virtude de interesses contrários do governo Sarney, não o permitindo manter a austeridade fiscal, Bresser pede demissão e assume o Ministro Maílson da Nóbrega que já inicia
propondo uma política econômica sem medidas drásticas, tenta conviver com a inflação fazendo ajustes localizados, essa política foi denominada de "Feijão com Arroz", a qual deveria evitar a hiperinflação. Porém em 1988 a inflação chega a 933% e o governo lança mais um plano econômico.
     E em 15 de janeiro de 1989, Plano Verão determina o corte de três zeros; criando o "Cruzado Novo" mais um congelamento de preços é extinta a correção monetária e o plano propõe a privatização de algumas estatais e cortes nos gastos públicos, onde os funcionários contratados nos últimos cinco anos seriam exonerados. Os cortes não aconteceram ficaram somente no papel. O governo não realizou nenhum ajuste fiscal, as discussões no congresso sobre o período do mandato de presidente impediram qualquer tentativa de medidas mais austeras

    O Plano Verão vira estatística que passa a preencher o rol de planos econômicos desastroso do período. Em dezembro do mesmo ano a inflação atingiu 53,55%. E de 1989 a 1990, a inflação chega a marca de 2.751%.a.a.

          

Material de Apoio


ECONOMIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA - A Saga dos Planos Heterodoxos: A economia Brasileira de 1985 a 1994. Cap. 17
http://www.docstoc.com/docs/4284448/Plano-Ver%C3%A3o. Acessado em 19/07/2011.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A origem da Moeda





Com a revolução agrícola e conseqüentemente a divisão social e especialização do trabalho, as trocas que antes eram feitas através da troca direta (escambo) que tinha como característica a dupla coincidência, passou por uma grande revolução, adotando bens econômicos como intermediário de troca, porém esses bens que serviam como intermediários de troca tenham que ter características que o promovesse a tal finalidade como: aceitação geral por parte da sociedade, conversibilidade entre outros. De inicio as mercadorias deveriam ter valor de uso, ou seja, deveriam ser útil. Sendo este comum e geral passavam a ter valor de troca, ambos acabavam por confundir-se. Assim o valor de uso servia como garantia para o valor de troca facilitando nas transações.

A maior parte das moedas-mercadorias não preenchiam as características essenciais da moeda. A utilização de metais possibilitou a cunhagem, por meio do qual se verifica seu peso e se garantia sua circulação além da possibilidade de cobranças de impostos (senhoriagem) pelo Estado. A progressiva substituição de metais não nobres pelo ouro e pela prata (em geral definidos como metais monetários por excelência) decorreu fundamentalmente dessas razões. Além de atenderem de forma mais satisfatória as funções principais da moeda, esses dois metais preciosos possuem características intrínsecas que se ajustam de modo mais perfeito, comparativamente a quaisquer outra mercadoria, ás características essenciais que a moeda deve preencher.

Com o aumento das atividades econômicas e conseqüentemente maior número de transações econômicas as moedas metálicas tornam-se inconvenientes devido as dificuldades de transporte de grandes valores e riscos de roubo. Ademais, as relações comerciais só poderiam se desenvolver se caso houvesse a criação de uma moeda mais flexível. E foi após o renascimento, os comerciantes, forçados por essas circunstâncias, passaram a recorrer as casas de custódia que poderiam guardar, sob garantia metais monetários e outros valores a difusão dessa forma de moeda pode-se dar por conta das relações comerciais entre as cidades italianas e região de Flandres por meio das chamadas Feiras de Champagne.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Das Isenções Fiscais de ISS

Fomos indagados essa semana com algo que achei interessante. Das Isenções Fiscais. A pergunta era a seguinte:

“Uma empresa tem uma isenção de ISS por seis anos. No mês de julho de 2010, antes do termino, o ente político (município) revogou a lei que previa a isenção. É possível que o município cobre no mês de agosto de 2010, o referido imposto?”

Assim como um tributo só pode ser criado por meio de lei, a isenção também só pode ser concedida por meio de lei (Principio da Legalidade), como nos diz o artigo 150 do Código Tributário Nacional, inciso I que proíbe a União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios, exigir ou aumentar tributos sem lei que o estabeleça. No entanto se observarmos o art. 104 da Vigência da Legislação Tributária a lei só entrará em vigor no primeiro dia do exercício seguinte, salvo as isenções. Logo, a lei que revoga uma isenção tributária deve obedecer ao principio da anterioridade. A que concede não precisaria, pois é para proteger o contribuinte e não para prejudicá-lo.

As leis, o Direito, Deveres, Dia-dia, desenvolvimento, incentivo...
A Economia, se você parar para pensar é das ciências a mais bela, mais fascinante...
ah e COMPLEXA.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Operário Padrão

Ser um operário padrão é se manter alienado diante da realidade em que está inserido. As fabricas exigem que o proletariado mantenha o perfil de um operário padrão que cumpre cotas; um ritmo de trabalho enlouquecido; que não reclama; que não possui uma subjetividade, pois esta afeta suas relações intimas e interpessoais, além de que causa impregnação do tempo de trabalho ao tempo de trabalho livre do trabalhador.

Numa pesquisa mais recente, segundo consultores de RH, o funcionário ideal tem características que não se aprende nos livros. Ele deve ser criativo, dinâmico, líder. E também ter família estruturada, saber se comportar, se vestir... Tudo isso demonstra que os patrões preferem funcionários que se mantenham alienados diante do processo de produção, pois assim eles não causam nenhum constrangimento para o mesmo.

As relações entre o trabalho na visão marxista e o trabalho na visão capitalista

Para Marx e Engels, o trabalho é algo fundamental para a existência humana. A raiz de qualquer sociedade é a forma como sua produção de bens se organiza, incluindo as forças produtivas e as relações de produção. Na visão dialética de Marx, onde se contrastam os interesses do proletariado e dos empresários, as condições de forças de produção precisam deixar de aparecer como obstáculos ao desenvolvimento das forças produtivas. Ou seja, o proletariado não pode ser um empecilho para o desenvolvimento da força produtiva. Marx nunca teve uma visão exclusivamente determinista da relação dialética entre capital e trabalho. Dentro da própria lógica do processo de valorização do capital surgem às condições sociais de sua superação, pois acreditava ele que pela união dos trabalhadores seria possível romper os limites impostos pelo capital.

Engels sustenta que o trabalho "é a primeira condição básica para toda a existência humana, e isto numa tal extensão que, em determinado sentido, nós temos de dizer que o trabalho criou o próprio homem". Entretanto, com a crescente complexidade da sociedade, surgiu a propriedade privada, a separação das pessoas em classes, e uma divisão social do trabalho —tudo isto alterou profundamente o significado do trabalho. Diferenças no ambiente conduziram a diferenças no modo como as pessoas trabalhavam e nas coisas que produziam.

Para Marx e Engels a primeira e decisiva divisão está entre a cidade e o campo. Tal como expôs Marx:

Os fundamentos de toda a divisão do trabalho já bem desenvolvida, e que surge pela troca de artigos, estão na separação entre a cidade e o campo. Pode-se dizer que toda a história económica da sociedade é resumida no movimento desta antítese. (Capital, vol. 1 [Moscow: Progress Publishers], 333)

No marxismo, o homem aparece como ser vivo, essencial, que traz em si as potencialidades de auto-desenvolvimento. Desta maneira, o “materialista” Marx produz sua metodologia dialética o objeto e o sujeito. Marx não concordava em o proletariado trabalhar apenas para sobreviver, trabalhar a fim de conseguir a mais-valia para os empresários. Ele deveria ter uma jornada de trabalho de acordo com o seu custo, ou ter participação ativa nessa mais-valia. Pois se todo o valor é gerado pelo trabalho, logo os trabalhadores era quem geravam toda riqueza, sendo que os patrões ficavam com toda essa riqueza, o que para ele era usurpar a classe trabalhadora.

Já para Adam Smith, o grande teórico da economia capitalista, o trabalho é uma atividade que exige ao trabalhador que desista "da sua tranqüilidade, liberdade e felicidade". O salário, de acordo com Smith, é a recompensa que o trabalhador recebe pelo seu sacrifício.

O desenvolvimento das forças produtivas se torna o fator decisivo e fundamental no processo de produção capitalista. Isto porque é por meio do desenvolvimento das forças produtivas, cujo efeito prático é o aumento da produtividade, que os capitalistas logram a diminuição do valor de suas respectivas mercadorias, o que lhes propicia sua sobrevivência no mercado competitivo e, ao mesmo tempo, a redução do valor da força de trabalho. Todo esse processo resulta na produção da mais-valia relativa, com a condição de que o incremento da produtividade tenha atingido as cadeias de fabricação dos meios de subsistência necessários para produzir a vida do trabalhador. Aumento de produtividade significa, entretanto, a produção de uma quantidade cada vez maior de valores de uso com uma grandeza relativamente menor de valor. Dessa forma, a solução para os capitais privados é um problema para o capital, uma vez que o mecanismo que propicia a sobrevivência dos capitais privados no mercado cria, contraditoriamente, as condições de produção da morte do capital. Capitais privados e capital estabelecem, portanto, uma relação de contradição, de tal sorte que a continuidade da existência deste último implica a destruição, pelo menos parcial, de capitais privados, e vice-versa. Portanto, se o trabalho, numa forma social genérica, é “um processo entre o homem e a Natureza, um processo em que o homem, por sua própria ação, media, regula e controla seu metabolismo com a Natureza” (Marx, 1983:149), ou seja, é o elemento determinante na constituição da própria natureza humana, no capitalismo a construção do gênero humano, por intermédio do trabalho, se dá pela sua destruição, sua emancipação se efetiva pela sua degradação, sua liberdade ocorre pela sua escravidão, a produção de sua vida se realiza pela produção de sua morte.

Vê-se logo a antítese presente nas duas formas propostas de trabalho, onde uma o trabalhador é um produto, uma máquina, ou algo material que significa gastos, e na outra que o trabalhador é um ser vivo que através da sua produção obterá de forma igualitária o bem estar.

domingo, 26 de julho de 2009

Utilitarismo Puro X Utilitarismo Eclético: Os Escritos de Bastiat e Mill


Doutrinas tentaram mostrar como os interesses dos pobres, eram idênticos ao dos proprietários, dos ricos e dos poderosos. Thompson e Hodgshkin adotaram a perspectiva da teoria do trabalho. Acreditavam que, enquanto os produtores imediatos de riqueza – os trabalhadores- não tivessem controle algum sobre os meios de produção, o conflito de classes seria inerente ao capitalismo.Observa-se a influência radical ou socialista da perspectiva da teoria do Trabalho da Economia Política clássica difundiu-se rapidamente de 1820 a 1850, os socialistas começaram a exercer considerável influência sobre os crescentes movimentos da classe operária neste mesmo período.

No livro Principles of Political Economy, de John Stuart Mill, tentar manter as perspectivas da utilidade e do trabalho no mesmo corpo das doutrinas econômicos, já Economic Harmonies, de Frédéric Bastiat representava o produto final, em quase todos os aspectos essenciais, do utilitarismo econômico puro e levado às suas lógicas.

Os socialistas tiveram suas idéias como base para a Economia Política clássica inglessa.Através dos escritos de Thompson e Hodgskin, essas doutrinas econômicas penetraram no movimento de Ownem, na Inglaterra, mas foi na França que as ideias socialistas se difundiram com maior rapidez.

Pode-se –ia dizer que o socialismo se originou igualmente de ideias inglessas e francessas, muito embora as doutrinas econômicas tenham se originado quase todas na Inglaterra. Em 1830 na França surge as corporativas sociais, através de Charles Fourier , que pregava que em uma economia capitalista, só cerca de um terço do povo realmente realizava trabalho socialmente útil, sendo que os outros dois terços ou eram dirigidos para ocupações inúteis, pela corrupção e pela distorção causadas pelo sistema de mercado ou eram parasitas inúteis.

Em 1840, o socialista francês Pierre Joseph Proudhon (1809 -1865), populariza o termo “A propriedade é um roubo”, achando ele que a propriedade era a “mãe da tirania”. Com os direitos de propriedade eram, simplesmente, conjuntos de privilégios especiais para poucos e de restrições e proibições gerias para as massas. Para Proudhoin a sociedade ideal rejeitava não só as relações de propriedade capitalista como também a industrialização, ele acreditava em uma época áurea da agricultura em pequena escala e de produção artesanal, na qual cada agricultor e cada operário possuiriam seu próprio capital e ninguém viveria apenas da propriedade.

O utilitarismo em Bastiat

A influência do socialismo francês estava se difundido , expandindo-se rapidamente e foi através desse conceito que Frédéric Bastgiat ( 1801-1850), procurou mostrar o lado positivo da propriedade privada, do capital, do lucro e da distribuição da riqueza existente- em geral o capitalismo concorrencial e laissez-faire. A utilidade sempre prevalece. Bastiat baseou-se nos pensamentos de Condillac que afirma que o fato de uma troca ser feita é o lucro,ou seja, toda troca irá representar dois ganhos para a humanidade. Sendo o utilitarismo unânime, a troca voluntária é um dos poucos aspectos da vida social no qual existe essa unanimidade entre as pessoas que interagem socialmente. Tanto a exigência de unanimidade quanto seu cumprimento no ato da troca são de grande importância para a moderna economia neoclássica, onde todas as interações econômicas, políticas e sócias dos seres humanos se reduzem a atos de troca

Utilidade e Troca

Se tudo que venha satisfazer as nossas necessidades classificassemos como “utilidade”, existiram assim dois tipos de utilidade:

Um deles nos é oferecido pela providência, sem qualquer custo para nós; o outro tipo insiste, por assim dizer, sem ser comprado com esforço. Assim o principio universal da ação humana era este: “Nosso interesse próprio é tal que, constantemente, procuramos aumentar toda a nossa satisfação em relação ao nosso esforço” ( Hunt, cap. 8, pg. 171).

Bastiat argumentou ainda sobre o paradoxo da água e do diamante de Smith. Já que a natureza nos dava alguma utilidade, como a oferecidad gratuitamente pela água, sendo que quase toda a utilidade dos diamantes nos era oferecida através de muita dor utilidade esta chamada de onerosa. Os objetos que ofereciam utilidade onerosa eram os que exigiam esforço humano para serem produzidos. Esse esforço humano produtivo era por ele chamado de serviço. Um homem isolado executaria todos os serviços produtivos para si próprio, mas sua existência seria precária e seu bem-estar material seria reduzido. Os homens viviam em sociedade porque podiam, com isso, dividir o trabalho, especializar-se, aumentar a produção e trocar os frutos da maior produção. Assim, em sociedade, os homens executavam serviços, ou esforço produtivo, para os outros. A troca era, em realidade, uma troca de serviços que aumentava, inevitavelmente, a utilidade dos homens em relação ao que eles podiam conseguir, se prestassem serviços produtivos apenas a si próprios. Logo, em uma sociedade de troca, o serviço era definido por Bastiat como um “esforço de um homem, ao passo que a necessidade e a satisfação eram de outro”.

Portanto, esse esforço produtivo, significa dores suportadas pelas pessoas para que houvesse produção.

Bastiat e a Defesa da Propriedade Privada,Capital,Lucros e Renda da Terra

Bastiat defendia a propriedade privada da terra, na qual os proprietários de terras não recebiam renda alguma, simplesmente em virtude das qualidades naturais, não aproveitadas e virginais de terra. Toda renda era devida às melhorias feitas pelo homem no solo. A terra seria então, capital que não podia ser movimentada da mesma maneira que os instrumentos e as máquinas. A dor e o esforço dos proprietários de terras acabavam sendo parecidos com a dor e o esforço dos capitalistas: eles sofriam por terem de entregar suas terras para serem trabalhadas por outros, para receber renda, em vez de deixá-los ociosos.